INTRODUÇÃO À ARTE POSTAL

Image-1Arte Postal é um movimento internacional com foco na troca de pequenos trabalhos de autoexpressão criativa a traves do correio.  O movimento nasce na década de 1960, na costa oeste dos Estados Unidos, a partir de um grupo de pessoas que sentiam a necessidade de se expressar criativamente, com total liberdade e em lugares não convencionais. O que começou como mais uma brincadeira de seres criativos, tornou-se nestes cinquenta anos um movimento global que continua no presente e desfruta de muito boa saúde. A Arte Postal trabalha com postais, papeis, colagens de imagens recicladas de folhetos e revistas, carimbos de borracha, tinta e selos criados pelos próprios artistas, mas também poderá incluir musica, arte sonora, poesia ou qualquer coisa que possa ser colocada num envelope e despachada pelo correio.

A comunidade de artistas postais valoriza prioritariamente a possibilidade de interconexão entre seus participantes e a promoção de uma espirito de igualdade que transcende os canais de distribuição tradicional da arte tais como o mercado em torno dela, museus e galerias. Apostam essencialmente na sua própria rede para a troca e divulgação do seu trabalho, ao invés de depender da sua capacidade para obter espaços para  exposição. Orgulham-se do status de grupo alternativo e referem-se a si mesma como “The Eternal Network” (A rede Eterna). O movimento tem a ver essencialmente com comunicação interpessoal, troca e a criação de uma comunidade virtual entre seus participantes. A sede mundial do grupo é a IUOMA, sigla do nome em inglês da União Internacional de Artistas Postais, cuja página é: http://iuoma-network.ning.com/.

ARTE POSTANDO…

Image-1 (1) (1024x1024)Nunca vou me esquecer da primeira vez em que vi aquela mala! Malas são sempre objetos de promessas. Mas eu não poderia imaginar o que sairia dela. Delírios, fantasias, criação e criaturas infindáveis… promessas, sim, de prazeres estéticos,  de dizeres sem palavras. Aquelas boas promessas que se concretizam. E depois desse primeiro contato, em que conheci e me tornei  fã do Escriba Celestial, resolvi que essa sensação não poderia se restringir a mim. Naquele momento estava ministrando a disciplina de Semiótica das Cidades, na UFPR. Não pensei duas vezes… creio que apaixonados pensam pouco mesmo . Acometida por essa paixão estética de que continuo sofrendo, propus ao próprio Escriba que ele desenvolvesse um workshop de Arte Postal na própria UFPR, com meus alunos. Foi uma experiência incrível para nós… tesouras, revistas, cola, tudo muito colorido e desafiador. E desse momento, nasceu um Chamado. Não somente um chamado interno, mas um chamado para que pessoas do mundo inteiro enviassem postais retratando as suas próprias cidades. Tivemos mais de 160 trabalhos, vindos de lugares muito diferentes e distantes. A Cada vez que eu buscava os postais na agência dos Correios e levava para a turma, era uma emoção. Abríamos todos juntos, comentávamos as técnicas, a criatividade e tantos outros conceitos de Semiótica, tornados claros e significativos através de uma vivência tão rica e intensa. O resultado foi um evento em que todas as obras  foram expostas à comunidade, as dos alunos ao lado daquelas de artistas consagrados e outras de ilustres desconhecidos de todas as idades e de diferentes partes do Brasil e do mundo. Creio, no entanto, que  o resultado verdadeiro foi a ampliação de visão de mundo. Nossos mundos ficaram bem maiores! Somos todos muito gratos ao universo e ao Escriba Celestial pela oportunidade de viver a Arte Postal com tanta intensidade e por descobrir que é possível partilhar a sensibilidade e a paixão pela Arte com leveza e simplicidade.

RENASCENDO A CADA ENCONTRO

A UNIPAZ entrou na minha vida quando eu tinha 12 anos. Naquele momento eu tive a oportunidade de conhecer aquele que se tornaria um dos meus Mestres: Pierre Weil. Na inocência da minha percepção não me dei conta do quanto havia ficado registrado em mim daquele encontro. É um dos muitos mistérios que norteiam nossas escolhas ao longo da vida. Anos depois, a abertura da UNIPAZ em Curitiba, o lançamento do Projeto Beija-Flor, a palestra de Roberto Crema, tudo encanto, sintonia. E assim o tempo seguiu, cadenciado pelo encontro de outros Mestres, cada um colaborando para meu constante renascer pessoal. Muitos anos depois,  em meio a afagos e sorrisos típicos de Janete Duprat, recebi o convite – ou seria um Chamado? – para integrar a equipe de professores da Pós-Graduação em Psicologia Transpessoal.  Confesso que não tinha feito a conexão com aquele encontro da minha infância. A memória veio vindo sorrateira, brincalhona… a viagem de avião a Brasília,  a mesa na sala, Pierre conversando com minha mãe… Que brincadeira seria essa? E desde então, eu venho brincando na UNIPAZ, com grupos de pessoas lindas, buscadoras como eu. E eu mostro a elas como eu vejo o jogo e como podemos entender as regras, ou desfazê-las e criar novas regras para brincar juntos o jogo do Divino, o jogo que os Mestres aprenderam e nos ensinam há milênios: o Divino se escondeu dentro de nós e nós temos que encontrá-Lo. Brincar de esconde-esconde pelas vidas… sempre crianças… e quando O encontramos, renascemos pessoas melhores, mais luminosas. E é assim que eu me sinto na UNIPAZ:  a cada encontro com as pessoas, ao falar para elas, eu reencontro as palavras dos Mestres e renasço. Uma nova criança para começar a brincar e aprender novamente.